sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Marcus Deminco: O Erudito Rufianismo do Mercado Editorial Brasileiro

Marcus Deminco: O Erudito Rufianismo do Mercado Editorial Brasileiro

Marcus Deminco – Novo Escritor Brasileiro (Blog Oficial ©): O Erudito Rufianismo do Mercado Editorial Brasileiro

Marcus Deminco – O Erudito Rufianismo do Mercado Editorial Brasileiro

O Erudito Rufianismo do Mercado Editorial Brasileiro



        Se existe uma coisa que aprendi bem na literatura alemã de Goethe é que um homem de bom senso jamais comete uma loucura de pouca importância. E como já dizia Luther King: “A covardia coloca a questão: É Seguro? O comodismo coloca a questão: É Popular? A etiqueta coloca a questão: É Elegante? Mas a consciência coloca a questão: É Correto? E chega a uma altura em que temos de tomar uma posição que não é segura, não é elegante, não é popular, mas o temos de fazer porque a nossa consciência nos diz que é essa a Atitude Correta”. E seguindo os brados da minha própria consciência, convicto de que o lançamento da 2ª Edição do livro Eu & Meu Amigo DDA será atrasado até meados do ano que vem, mas, sobretudo, em respeito ao desrespeito que toda essa gente posada de besta vem destratando todos os poucos que ainda amam a literatura nacional resolvi disponibilizar – antes mesmo do lançamento do livro – este capítulo.
E por que não me calei diante de toda absurdidade que presenciei? É porque nutro imenso desrespeito pelos omissos. Pois eu sempre preferi carregar todo peso das minhas atitudes, que andar com o vazio passivo daqueles que nunca se atrevem. Prefiro correr o risco de desagradar qualquer pessoa com a minha sinceridade, que a subtração do meu pensamento pela conveniência. Prefiro a crítica sobre o que digo, que todo o silêncio covarde que adormece na isenção contida daqueles que se abstém do mundo. Enfim, eu prefiro jogar o jogo da vida, que assisti-la de longe, escondido nas sombras das arquibancadas.  Então vamos lá...
Com três livros de estilos relativamente distintos, imaginei que possuía um conteúdo bibliográfico razoável para submetê-lo a avaliação de qualquer conselho editorial – sem o menor tipo de constrangimento. Contudo, se eu já gozasse do mínimo conhecimento sobre toda libertinagem que rodeava o prostíbulo mercado editorial brasileiro, certamente, o meu otimismo seria muito mais malicioso do que cândido.  Logo – acreditando somente por desconhecer no que não deveria acreditar – em julho de 2008, antes mesmo de ingressar no curso de psicologia, com intento de apresentar alguma formalidade que adornasse o meu nome enquanto autor, enquanto proporcionava as mínimas condições necessárias para que os meus originais fossem recebidos com o devido respeito, e apreciados com certa distinção e valimento, decidi comigo mesmo que, passaria a exercer o papel de meu próprio agente literário.
Imediatamente, criei uma conta de e-mail, (2xliteratura@gmail.com), registrada sob o pseudônimo de Jota Andrade, com o qual passei a intermediar os contatos entre as editoras, e o escritor Marcus Deminco. Desorganizado, sem estabelecer previamente qualquer tipo de seleção quanto aos gêneros literários comercializados por cada editora, isento dos procedimentos normativos que regem as boas praticas para utilização do E-mail Marketing, elaborei um mailing com todos os endereços eletrônicos que consegui agrupar, das diferentes editoras nacionais disponíveis na internet.
Dos diversos e-mails encaminhados – bastou apenas uma única resposta – entre as poucas mensagens retornadas, para despertar ligeiro em um sobressalto de regozijo, o sono leve do meu desmedido entusiasmo. Primeiro, porque não se tratava de uma resposta automática, tampouco apresentava qualquer tipo antecipado de empecilho, como alguns e-mails advertindo não estar analisando originais por determinado período. Muito pelo contrário, afirmava, inclusive, que eu – no papel de Jota Andrade – poderia enviar o prefácio da obra. Além do mais, não era um retorno proveniente de uma editora qualquer. Tratava-se de uma resposta do maior conglomerado editorial da América Latina, e aquela tal de Luciana que assinava o e-mail, era simplesmente a renomada Sra. Luciana Villas-Boas, diretora do departamento editorial do Grupo Record, considerada uma das personalidades mais influentes do mercado editorial brasileiro.
Mas, como em mim os devaneios haviam corrompido a realidade desde criança, somente quando a minha alegria começasse a ser usurpada, pouco a pouco, eu passaria a compreender que aquilo não se tratava da mais esplendorosa oportunidade de me tornar um escritor, como eu queria acreditar que fosse. Nem mesmo era a chance que tanto esperava para realizar algum dos meus incontáveis projetos guardados durante tanto tempo. De forma intencional ou não, seria uma espécie de sequestro da minha felicidade, enquanto eu mesmo me ludibriava que estava sendo feliz. Talvez por tudo que havia feito de errado, ou por tudo que deixei de ter sido por não ter feito o que seria correto, tenha me custado o peso de longos anos perdidos, nas intermitentes culpas das minhas deduções sobre o que não fui senão hipóteses. Porque, quando passei a ter consciência da seriedade que o mundo me exigiria, já não sabia exatamente o que era seriedade, muito menos se aquilo que eu tinha como consciência, seria proporcionalmente igual ao dos outros.
Tenho consciência de que não posso regressar ao passado para corrigir tantos erros pendentes, mas se também não sou dono nem mesmo do meu presente, resta-me somente essa estranha mania de me iludir tanto até acreditar que um dia – de um súbito repente inesperado – um inusitado chamado para realizar algo grandioso, ou um convite inopinado para fazer alguma coisa imensamente mirabolante, vai me proporcionar uma realização tão excepcional que – através desse feito – eu conseguirei reparar boa parte do prejuízo que o meu desinteresse – mesmo sem saber exatamente no que deveria ser interessado – havia me custado.
Enlevado por sonhos tão coloridos quanto as capas dos meus livros antevistas na minha imaginação com tamanha nitidez que eu poderia ser capaz de tocá-las através de qualquer outro objeto tateado pelas minhas mãos sedentas por trazer a vida o que havia fantasiado de mais lindo. E com o encantamento deslumbrado de uma criança que vai ao parque pela primeira vez na vida, eu não entrava mais nas livrarias, eu simplesmente flutuava sobre as prateleiras tomadas de histórias encapadas de papéis. Ficava entrando e saindo das diferentes seções, como quem brincava de esconde-esconde entre os contos e seus personagens desconhecidos como se fossemos amigos de infância. E quando cansava – sem deixar ninguém perceber – eu inalava o prazenteiro cheiro dos livros novos, e os folheava em direção a minha face, fazendo uma espécie de vento frio, entorpecente e mágico, permitindo que todas as palavras entrassem pela minha boca, e eu as degustava sem mais precisar lê-los para conhecê-los. Naquele instante, eu os sentia inteiramente dentro de mim.
E por um tempo indistinto, passou a ser assim: enquanto eu fantasiava com as minhas obras publicadas, a afamada Luciana Villas-Boas passava a ludibriar o meu desejo. Demonstrando um interesse dúbio, e meticuloso demais para a minha cegueira de sonhador decodificar imediatamente. Através de constantes e-mails trocados comigo – no papel do meu próprio agente – seu interesse na obtenção de dados que validassem a publicação daquele tipo de obra (em gênero e temática) servia tanto para aferição de suas conveniências pessoais, como para alimentar ainda mais a minha ilusão já tão nutrida. E sem consciência da sua prática ardilosa, ela facilmente seduzia a minha inconsciência tão alheada pela felicidade convicta de que, todos os seus interesses seriam referentes apenas aos meus livros. Principalmente, em relação à 1ª edição do livro Eu & meu Amigo DDA.
Não posso asseverar de que a sua maldade era racional, pois acredito que quem desfrute de racionalidade não se logre através da atávica conduta ruindade. Pois, acho que até mesmo, a mais ínfima racionalidade humana, possua alguma dose de percepção sobre o outro. Dessa maneira, ou ela algozava naturalmente, e o seu sadismo seria doloso, ou por pura insensibilidade, demonstrando um imenso talento para ser perversa, ela praticava uma espécie de sadismo culposo. Mesmo desconhecendo a existência do sadista despretensioso, isso pouco importa, pois, independente do seu propósito, ou da ausência dele, a intensidade da minha dor seria a mesma.
Entretanto, não posso assegurar que a sua perversidade era intencionalmente criminosa. Afinal, existem tantas maneiras legais de ser desonesto, que nem todos escolhem praticar o crime ilegal. E devemos ter ainda em conta que, os estúpidos são perigosos e funestos, principalmente porque as pessoas razoáveis acham difícil imaginar e entender um comportamento estúpido. Uma pessoa inteligente sabe que é inteligente. O bandido tem consciência de ser um bandido. O crédulo está penosamente ciente da sua própria credulidade. O estúpido, ao contrário de todos estes personagens, não sabe que é estúpido. Isso contribui decisivamente para dar maior força, incidência e eficácia à sua ação devastadora. O estúpido não é inibido por aquele sentimento a que os anglo-saxónicos chamam Self-Consciousness. Com um sorriso nos lábios, como se fizesse a coisa mais natural do mundo, o estúpido aparecerá inopinadamente para lhe dar cabo dos seus planos, destruir a sua paz, complicar-lhe a vida e o trabalho, fazer-lhe perder dinheiro, tempo, bom humor, apetite e produtividade – e tudo isto sem malícia, sem remorsos e sem razão. ESTUPIDAMENTE!
Gostaria, inclusive, de ressaltar que – as opiniões expressas aqui não refletem necessariamente a realidade – e embora também não retratem a inverdade, pois a realidade tenha se revelado ainda pior, não tenho pretensão, interesse, nem paciência alguma para atestar que, os fatos aqui expostos estão em conformidade com a realidade dos fatos aqui não expostos. Desse modo, reitero que todas as considerações descritas neste capítulo reproduzem – a partir de tudo que vivenciei – somente uma síntese daquilo que tive como a minha perspectiva da verdade.
Devo salientar, no entanto, que a omissão de alguns episódios verídicos durante a minha narrativa, não demonstra, absolutamente, nenhuma predileção pela inverossimilhança, tampouco pela covardia ou qualquer sinônimo de precaução. Pois a sátira também sabe ser discreta, para contar verdades. Afinal, sem a ambiguidade permissível da ironia, como poderíamos acusar, contestar, ofender e debochar – de maneira tão simpática – algo que testemunhamos, e com o qual discordamos completamente? Ou como enfrentaríamos – sem outras armas que não as palavras trocistas – aquelas atitudes construídas propositalmente para nos desestabilizar, com a cínica elegância de quem finge supor aquilo que se tem como axioma?
Todavia, a prevalência da verdade é que, depois de trocarmos aproximadamente 18 e-mails (de 21 de julho de 2008 a 19 de janeiro de 2009), após fornecer-lhe informações que justificavam o investimento naquele perfil de obra, de contextualizá-la sobre os aspectos positivos em relação a comercialização de livros abordando o Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDA/H), de mencionar a quantidade de exemplares vendidos por outros livros, em gêneros diferentes, mas sobre o mesmo assunto. Dados esses, apresentados, inclusive, como respostas as astuciosas indagações feitas por ela.
Posteriormente, conhecendo toda viabilidade para publicação do meu livro Eu & meu Amigo DDA – conforme foi apresentado em números e projeções: os motivos, as justificativas, o público-alvo etc. Em Abril de 2010, coincidentemente intencional, ou por pura casualidade premeditada, através da Verus Editora (um dos 14 ou 15 selos do Grupo Editorial Record) é publicado “ocasionalmente” um livro com a mesma temática e gênero que o meu: uma autobiografia traduzida (conforme eles preferem) intitulada, Minha Mãe Tem um Filho Hiperativo – A Vida e a Mente de uma Pessoa com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.
Eu até acredito em acaso, destino, sorte, simultaneidade, Sincronicidade, tarô, duendes etc. O problema é que algumas coincidências coincidem tanto, a ponto da própria casualidade ludibriar a lógica enquanto a dúvida pergunta para certeza: foi tudo mesmo tão casualmente? E independente do fato de acreditar que ela tenha agido com estratagema e má-fé, ao asseverarem na sinopse que o livro “... traz uma abordagem singular e reveladora do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, pois é o único livro narrado por um jovem portador do distúrbio.” – eles ignoram o meu pioneirismo, desconsideram o meu trabalho, e rebaixam a validade da minha obra.
Entretanto, como normalmente, não sou juiz nem mesmo do meu juízo. Tanto pela presença instável dele na suprema corte da minha consciência, quanto pela minha profunda falta de conhecimento em relação aos princípios básicos do direito – deixarei disponível – no final deste capítulo um link com todos os e-mails trocados entre o meu agente literário, Jota Andrade (também conhecido como eu) e a Sra. Luciana Villas-Boas. Dessa maneira, você mesmo poderá formular suas próprias conclusões. No entanto, com bem mais consistência, lendo o desfecho deste capítulo.
Sendo assim, antes de concluí-lo, com intento de apresentar um breve esclarecimento ao leitor sobre as condições do mercado editorial brasileiro, destaco que ao decurso dos anos 80, no gênero literário de ficção, dos 100 títulos listados entre os 10 mais vendidos no Brasil, apenas 26 livros pertenciam a 13 autores nacionais, enquanto os outros 74 títulos eram de autores estrangeiros. Na década seguinte (entre 1990 e 1999) dos 10 títulos de ficção mais vendidos entre os 100 títulos resultantes, 48 eram de autores nacionais. No entanto, apesar do aparente crescimento, somente as obras do autor Paulo Coelho, representavam 20 desses 48 títulos. O que, proporcionalmente, apresentou certa estagnação no mercado editorial nacional, com um insignificante acréscimo de apenas 2 obras. Contudo, foi durante o funesto mês de abril de 2010 que, os escritores nacionais foram, subitamente, abduzidos. Dos 100 títulos presentes na mesma listagem concernente ao gênero de ficção, 10 entre os 10 livros mais vendidos no Brasil eram de autores estrangeiros.
Mas, como diante de tudo aquilo em que a ausência de lógica se revela incoerente demais, eu costumo cogitar o impossível, indaguei-me azoinado: será que teriam morrido tantos autores nacionais que justificasse essa nefasta estatística? E supondo que, todos eles tivessem, repentinamente, morridos de alguma maneira surreal – não teria nascido nem mais um único autor nacional de ficção? Intrigado, recordo-me casualmente, das sabias palavras de Fernando Sabino:
Matar não é tão grave como impedir que alguém nasça, tirar a sua única oportunidade de ser. O aborto é o mais horrendo e abjeto dos crimes. Nada mais terrível do que não ter nascido”. Suscitam-se a partir daí as primeiras dúvidas: “Afinal, quem estaria abortando todos esses autores nacionais? Quantos escritores desistiram de seguir a literatura por terem sido privados, antes mesmo de suas histórias nascerem?” – Logo mais, mencionarei o que provavelmente aconteceu, e quem seriam esses “supostos” aborteiros.
Vale relembrar que, durante esse longo período de americanização, mais precisamente no ano de 2006 – após figurar por 200 semanas na lista dos mais vendidos do New York Times – entre os tantos clássicos estrangeiros que alimentam o nosso esfomeado aculturamento, O Segredo, da ilustre desconhecida, Rhonda Byrne, chegou ao Brasil como um dos mais promitentes livros milagreiros do ano. Não muito diferente de todo conteúdo engabelador que formam os livros de autoajuda, e inspirado na lei da atração, ensina como exercitar pensamentos positivos para elevar autoestima, conquistar riquezas, resolver problemas de saúde, alcançar a felicidade, e todas as outras coisas almejadas por todos os mortais. Vendeu mais de 19 milhões de exemplares em todo o mundo, e aproximadamente, 2 milhões somente aqui no Brasil.
Não sei quantos leitores nacionais conseguiram enriquecer, melhoraram suas autoestimas, atingiram plenas felicidades, e mantiveram suas vidas em perfeita harmonia e saúde, em virtude dos ensinamentos desse livro. Eu, particularmente, acredito muito mais na eficiência da consulta aos orixás através do jogo de búzios de um bom pai de santo, ou naquilo que revelam as cartas do tarô jogadas por uma cartomante experiente, do que todas as receitas escritas em livros de autoajuda com fórmulas prontas para fazer todo tipo de gente feliz como se fossem receitas de bolo, e fazendo de bobo todos aqueles que pensam que serão felizes, seguindo os ingredientes dos bolos.
Confesso que jamais compreendi a serventia da Biblioteca Nacional (BN), da Câmara Brasileira do Livro (CBL), muito menos a utilidade da Academia Brasileira de Letras (ABL) e dos seus fantasmas imortais, caricaturados de super-heróis aposentados com suas mortalhas bordadas de ouro, chapéu de veludo preto com plumas brancas, e suas espadas enferrujadas desajeitadas nas cinturas. No entanto, em Abril de 2011, na mais explícita demonstração de caduquice institucionalizada, e da decadência da literatura nacional, os ociosos imortais da ABL, na ausência de escritores, sobriedade, respeito e sem nada de mais útil para fazer, resolveram – como quem decide algo desponderado de critérios – simplesmente, homenagear o jogador Ronaldinho Gaúcho com a máxima honraria da literatura brasileira, a medalha Machado de Assis.
Entretanto, afora o estapafúrdio absurdo dessa atitude, conforme já havia dito anteriormente: diante de tudo aquilo em que a ausência de sensatez se mostra desconexa demais, eu costumo ponderar o extraordinário. Seguindo assim, em minhas divagações mais desvairados, passei então a cogitar que no final do mesmo ano, em reciprocidade ao gesto contraditório da ABL, os mortais da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também poderiam querer me prestigiar com o troféu Rei da Bola, como melhor jogador da temporada.
Gostaria de aproveitar, enquanto o meu futuro como escritor ainda é tão incerto quanto o de Ronaldinho Gaúcho, para deixar expresso e registrado aqui, que, quando eu me tornar um renomado autor, de maneira alguma, em nenhum momento, ainda que eleito, convidado, convocado, intimado, forçado, ou por qualquer outra forma que vague além da vontade que não tenho, eu jamais aceitarei participar da Academia Brasileira de Letras (ABL). Não pretendo vestir aquele abadá ridículo, sentar naquelas velhas cadeiras empoeiradas, compartilhar o chá das quintas-feiras com as múmias discutindo necrologias, e viver na imortalidade de quem ainda está vivo, fazendo parte de uma entidade que deveria exercer alguma relevância social, mas que não faz nada além de assombrar aqueles que não sabem identificar o seu verdadeiro estado semiânime. Pois se estão vivos, são igualmente passivos como os mortos. E estando mortos, exercem a mesma importância de suas atribuições fantasmagórica.
Então, nesse instante você talvez deva estar se questionando: quem eram os aborteiros dos autores nacionais de ficção? O que teria a então senhora Luciana Villas-Boas em relação a tudo isso? Qual o livro preferido do Ronaldinho Gaúcho’? Em confluência com todo esse retrocesso, também começarei pelo final: não faço a menor ideia quanto ao livro preferido do Ronaldinho Gaúcho, pois na solenidade, quando perguntado sobre sua obra preferida, ele disse em alto e bom som que “não tinha um livro preferido, e nem possuía o hábito da leitura”. Seguidamente é importante destacar que a Editora Record, no período em que Luciana Villas-Boas era diretora editorial do Grupo, enquanto publicavam cerca de 450 títulos por ano, em 12 anos, lançaram somente 2 originais, dos inúmeros que são enviados pelo correio. 
Quanto aos abortados, um passarinho mudo, certa noite pousou no monitor do meu computador e me contou que eles teriam sido vítimas de uma chacina praticada pelos interesses mesquinhos de uma quadrilha formada por 4 “grandes” veículos de comunicação: Veja, Folha, Globo e Estadão, e os espúrios donos de uma editora desprovidos de comprometimentos morais. Dessa forma, a revista e os jornais passaram a manipular as listas dos livros mais vendidos, em reciprocidade, o rufianismo editorial investiria valores elevados nos livros medíocres dos seus néscios e marafonas colunistas.
Logo, enquanto a editora priorizava a tradução de livros estrangeiros, mantinha suas permutas pelos jabás na publicação dos livros de qualquer colunista da sua facção, e relançava apenas novas edições de obras nacionais já consagradas, de renomados autores falecidos, os novatos permaneceriam sendo abordados prematuramente. E assim, depois do romance, da fábula, do conto, da crônica, da novela, surgiu a partir de então, um novo estilo literário. Sob forte influência do Maquiavelismo, e inspirado nas técnicas de retórica proposta por Goebbels, através de palavrórios em circunlóquios monotemáticos nascia o Neo-Hebetismo. Teve como precursor, o desenxabido Diogo Mainardi, e como seus principais Servus Pecus: o nauseabundo, Reinaldo Azevedo, e o ascendente de oprobrioso, Rodrigo Constantino.
Não muito diferente ao Index Librorum Prohibitorum, que era a lista dos livros proibidos pela Igreja Católica, durante a Inquisição, a revista veja também vigiava a lista dos mais vendidos para propiciar uma ampla divulgação aos livros da Record, enquanto condenava-se a morte inúmeros autores com suas historias jamais contadas. Garantindo assim, a retroalimentação continua do investimento, e da fomentação na ignorância nacional. e se as coisas já funcionavam de maneira tão indecorosa e despudorada, imaginem a partir de 2003, quando o redator-chefe da revista Veja, Mário Sabino engatou um namoro, que duraria 4 anos, com a diretora editorial da Record, Luciana Villas-Boas. E como bem dizia Luther King: “Nada no mundo é mais perigoso que a ignorância sincera e a estupidez conscienciosa”.
Durante esse longo período de prostituição corporativa, ocorreram trocas de favores tão estrambólicos que desencadearam ressentimentos e revoltas, tanto por parte das editoras concorrentes, como das seções de lançamento de livros de outras publicações. Contudo, através dessa estreita relação entre alcoviteiros e alcovitados, onde os agentes da promiscuidade se revezavam entre ativos e passivos, a seção de Livros de Veja passou a dar tratamento especializado para a Record – e a Record pagava para Veja, o anúncio de seus lançamentos mais relevantes... Bem, se a expressão relevante tiver o mesmo significado do que está definido no dicionário, não sei o que poderia ter sido criado com tamanha relevância por pessoas tão irrelevantes para serem lançados por jabazeiros.
Decerto, todo esse processo de degeneração, justifique em grande parte por que, durante todos os dias da Bienal Internacional do Livro de São Paulo de 2016, permeio a personagens de Game of Thrones, Vampiros, bruxos, e jovens Cosplays fantasiados de animes, Mangás, Comics – não existia ninguém caracterizado de Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão, Bidu, ou qualquer outro personagem que fale Oxente, Ave, Eita, Vixe, etc. E justifique também porque todos os anos, no dia 31 de outubro celebramos o Halloween, ao invés de comemorarmos o dia nacional da poesia brasileira, data criada, inclusive, em homenagem ao nascimento do poeta brasileiro mais influente do século XX, Carlos Drummond de Andrade.
Entretanto, antes que nossos netos tenham que estudar a série completa Diários do Vampiro de L. J. Smith para responder as provas de vestibular. Antes que resolvam derrubar a escultura de Machado de Assis no jardim da Academia Brasileira de Letras para erguerem uma maior do Dan Brown, que achem mais patriótico construir uma estátua em ouro da escritora Joanne Rowling, no lugar da de bronze de Carlos Drummond de Andrade na orla de Copacabana, antes que decidam transfigurar o Saci-Pererê em Harry Potter, e antes que passem a plantar Cookies, Donuts e Pretzels nas nossas lavouras de soja, milho e cana-de-açúcar, fico ainda imaginando-me: Qual seria a nossa religião, se porventura a publicação da Bíblia dependesse da apreciação dos mecenas Autoxenofóbicos da Editora Record? Seríamos ateístas, teríamos algum colunista canonizado para orarmos, ou arrumariam um Deus americanizado como eles preferem?
Agora, depois de saber um pouco mais sobre a verdadeira profissão da Sra. em questão, e compreender superficialmente como funciona o comércio no mercado editorial brasileiro, diga-me se a sua ingenuidade permitiria acreditar – assim como eu acreditei por desconhecer as possíveis consequências em desacreditar que – ela teria realmente agido sem a menor intenção, teria sido tudo apenas uma mera coincidência tão premeditada assim, ou será que algum outro funcionário, do mesmo grupo editorial, porém ainda mais dotado de habilidades telepáticas, teria acessado o cérebro dela e extraído todas essas informações via cabo USB?
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#marcusdemincosobreomercadoeditorial
·   Leia no link todos os meus e-mails trocados com a Sra. Luciana Villas-Boas.
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Texto de autoria do escritor Marcus Deminco: 13ª Capítulo referente à 2ª Edição do livro – ainda inédito – Eu & Meu Amigo DDA

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quinta-feira, 15 de junho de 2017

BeijoMolhado: Pensamento do dia #1

BeijoMolhado: Pensamento do dia #1: “O primeiro sentido da vida é senti-la, o segundo, vivê-la e o terceiro:  conseguir realizar continuamente os dois.” (Marcus Deminco) ...

terça-feira, 6 de junho de 2017

O Segredo de Clarice Lispector (Resenha @Livrosemrabisco)



OSegredo de Clarice Lispector. Resenha ✅ Moço, em obséquio, como faz pra ir embora? Lea Leopoldina carrega um filho na barriga e uma única esperança: sair da miséria do sertão e tantar uma vida melhor na cidade. . "Se Deus realmente existisse como eles criam, tivera sido injusto demais com todos os sertanejos. Aquela imensidão de água azul sobrando, diante da miséria deles, feria as regras da lógica, as leis da coerência. Era um insulto, uma aberração um tapa metafórico, mas bem dolorido na cara" Chegando à cidade, encontra uma realidade muito diferente da que imaginava, vendo-se tão logo como pedinte para alimentar a si e seu filho. É neste ponto que sua vida cruza com Jovino. Há dois anos atrás, exato momento em que o filho de Lea nascia, ele enterrava sua mulher e o filho recém-nascido. Buscando através de cartomantes um indício de mudança em sua vida, Jovino descobre que um menino com nome celestial iluminará sua vida. E é então que sua vida se junta a de Lea e João Bento Gabriel, o bentinho. Sem delongas, não vou contar aqui a trama toda, que de forma bastante inteligente, acaba por se ligar a Clarice Lispector e o antigo pseudônimo Helen Palmer, que a autora usou para escrever anonimamente. Por um motivo ou outro, minha trajetória na literatura ainda não passou pelas sábias palavras de Clarice. Ao me deparar com um título tão sugestivo sobre a vida da escritora, me perguntei o quanto encontraria nestas páginas de realidade e de ficção. A resposta, para quem também ficou curioso, é: um realismo fantástico, com um pouco de realidade entrelaçada a uma história muito bem narrada. É uma escrita rica, com detalhes e fora da narrativa central, relata fatos verídicos sobre a autora e seus segredos. Indico a todos que apreciem boas histórias, este com certeza é um dos melhores livros que li este ano. Gostou? Aproveita e baixa o e-book, que está gratuito HOJE na @amazonbrasil ❤
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segunda-feira, 5 de junho de 2017

O Segredo de Clarice Lispector (G R Á T I S)


Salvem aí! Somente amanhã, e-book grátis na #amazon Os fãs de Clarice vão adorar! E pra quem não conhece a autora, é uma ótima oportunidade pra entrar em um universo não diretamente ou totalmente ligado a ela, mas com uma história envolvente do início ao fim. Vou deixar a sinopse aqui e amanhã tento trazer a resenha pra vocês 😍 A história de Clarice Lispector que ninguém jamais contou. Afinal, por que a autora brasileira era conhecida como A Grande Bruxa da Literatura Brasileira? Que espécie de vínculo Clarice teria estabelecido com a feitiçaria? Por que seu próprio amigo Otto Lara Resende advertia alguns leitores para tomarem cuidado com Clarice, alegando não se tratava apenas de literatura, mas de bruxaria? “O 7 era meu número secreto e cabalístico”. Há 7 notas com as quais podem ser compostas “todas as músicas que existem e que existirão”; e há uma recorrência de “adições teosóficas”, números que podem ser somados para revelar uma quantia mágica, Eu vos afianço que 1978 será o verdadeiro ano cabalístico. Portanto, mandei lustrar os instantes do tempo, rebrilhar as estrelas, lavar a lua com leite, e o sol com ouro líquido. Cada ano que se inicia, começo eu a viver outra vida.” – E, muito embora ela tenha morrido apenas algumas semanas antes de começar o então ano cabalístico, sem dúvida alguma, todos esses hábitos ritualísticos, esclareceram a verdadeira razão pela qual – aceitou com presteza e entusiasmo – o inusitado convite do ocultista colombiano, Bruxo Simón, para participar como palestrante – do 1º Congresso Mundial de Bruxaria organizado por ele. #osegredodeclaricelispector #claricelispector #marcusdeminco #livronacional #gratis #livrogratuito #amazonbrasil

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O Segredo de Clarice Lispector (Grátis Só Hoje)



GRÁTIS SÓ HOJE



quinta-feira, 18 de maio de 2017

O Segredo de Clarice Lispector - Por Livro Sem Rabisco




"Desistir?! [...] Como posso desistir com tantos livros guardados em mim? Com tanta história clamando para ser contada?" . Oie! Minha nova leitura - O Segredo de Clarice Lispector, do autor @demincomarcus Acho que nunca ouvi algo tão certo quanto o que me disse Marcus ao enviar o livro: vai devorar em uma só sentada! E não é que era verdade? Comecei ontem e já foram 80 páginas 😮 isso pq sou uma pessoa quase sem tempo nesses últimos dias. Vou deixar a sinopse e logo volto pra contar como vai o andamento do livro ❤ Sinopse A história de Clarice Lispector que ninguém jamais contou. Afinal, por que a autora brasileira era conhecida como A Grande Bruxa da Literatura Brasileira? Que espécie de vínculo Clarice teria estabelecido com a feitiçaria? Por que seu próprio amigo Otto Lara Resende advertia alguns leitores para tomarem cuidado com Clarice, alegando não se tratava apenas de literatura, mas de bruxaria? “O 7 era meu número secreto e cabalístico”. Há 7 notas com as quais podem ser compostas “todas as músicas que existem e que existirão”; e há uma recorrência de “adições teosóficas”, números que podem ser somados para revelar uma quantia mágica, Eu vos afianço que 1978 será o verdadeiro ano cabalístico. Portanto, mandei lustrar os instantes do tempo, rebrilhar as estrelas, lavar a lua com leite, e o sol com ouro líquido. Cada ano que se inicia, começo eu a viver outra vida.” – E, muito embora ela tenha morrido apenas algumas semanas antes de começar o então ano cabalístico, sem dúvida alguma, todos esses hábitos ritualísticos, esclareceram a verdadeira razão pela qual – aceitou com presteza e entusiasmo – o inusitado convite do ocultista colombiano, Bruxo Simón, para participar como palestrante – do 1º Congresso Mundial de Bruxaria organizado por ele. #osegredodeclaricelispector #claricelispector #marcusdeminco #livronacional

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sexta-feira, 14 de abril de 2017

O Segredo De Clarice Lispector




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Vertygo - O suicídio de Lukas. (Autor: Marcus Deminco)






Livro sem Rabisco: Vertygo, O suicídio de Lukas

Livro sem Rabisco: Vertygo, O suicídio de Lukas: Multiverso, Delírio ou Fantasia?   Sincronicidade, Coincidência ou Destino?   Universo Paralelo, Alucinação ou Fuga Da Realidade?   – ...

domingo, 9 de abril de 2017

– O Segredo de Clarice Lispector – A Verdade que Ninguém Jamais Contou. (Preço Promocional)

 – O Segredo de Clarice Lispector – A Verdade que Ninguém Jamais Contou. (Preço Promocional)

– O Segredo de Clarice Lispector – A Verdade que Ninguém Jamais Contou. (Preço Promocional)





– O Segredo de Clarice Lispector – 
A Verdade que Ninguém Jamais Contou. 
(Preço Promocional: http://a.co/bSe3rFL)

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O Segredo de Clarice Lispector (A História que Ninguém Contou)



sexta-feira, 17 de março de 2017

quarta-feira, 15 de março de 2017

Vertygo – O Suicídio de Lukas (por: Livro Sem Rabisco)




Multiverso, Delírio ou Fantasia?
Sincronicidade, Coincidência ou Destino?
Universo Paralelo, Alucinação ou Fuga Da Realidade?
– Bem Vindo À Vertygo –

            Dica de leitura nacional pra quem adora mistério. Vertygo, O suicídio de Lukas, aborda, entre outros fenômenos da mente, a teoria da sincronicidade. Será que tudo que está para acontecer tem algum significado?

O livro de Marcus Deminco inicia com o que talvez seja uma das mais difíceis decisões sobre a vida, o suicídio. A que ponto da vida uma pessoa precisa chegar para precisar desistir? E o que faz com que algumas enfrentem tudo sem sequer pensar nessa hipótese?

Lukas de Castro decidiu que aos 33 anos já viveu o suficiente. Fato é que uma depressão tão grande tomou-lhe conta, que nem mais seus mais agradáveis passatempos conseguiam lhe alegrar. Parou de dar antroponímia na faculdade onde lecionava, deixou de lado seu cachimbo e seus discos de Jazz e permitiu somente que a vontade de morrer crescesse em seu interior.

Mas então, qual seria a melhor forma de morrer? Lukas sabia que deveria no mínimo ser de uma forma digna e sem falhas, e são nesses questionamentos que uma ideia lhe passa pela cabeça: 
“O que acontecerá com as faturas dos meus cartões de créditos quando eu morrer? Quem vai pagá-las?”

Com esse pensamento, Lukas decidiu que poderia ter, em seu último dia de vida, todo luxo que do qual se privara até aquele dia. Encomendou seu funeral, desfrutou de um bom almoço, comprou caras lembranças para seus entes queridos e partiu para um hotel de luxo de onde escolhera se jogar.

Mas Lukas, que havia usado seu conhecimento em antroponímia para ligar às "casualidades" do seu dia, não poderia imaginar a surpresa que o encontraria no quarto do hotel: 
Um belo Komboloi grego com a seguinte escrita cravejada: ΚαλώςήρθεςστοΒέρτιγκο (Bem vindo à VERTYGO)”.

A menção à enigmática ilha faz com que repentinamente Lukas mude, mesmo que temporariamente, seus planos, fazendo com que ele embarque em uma viagem alucinante em busca dos segredos de Vertygo.

Amo livros com temáticas diferentes, como é o caso de Vertygo. O autor usa de um certo suspense já na sinopse, nos inserindo profundamente dentro dos sentimentos e pensamentos do personagem. Sabemos que há um mistério nessa trajetória até a ilha, mas a surpresa no final é inimaginável. Considerei o livro um verdadeiro plot twist, daqueles onde todas as suposições não serão o suficiente.

Sou fã dos mistérios do subconsciente e Marcus soube explorar muito bem todos esses aspectos no enredo da história.  Uma leitura envolvente, que com certeza vai surpreender muitos leitores em sua jornada.



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O autor

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Marcus Deminco é Escritor e Psicólogo brasileiro. Professor de Educação Física, tutor de Programação Neurolinguística e Dr. h. c. em Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).







domingo, 12 de março de 2017

Livro sem Rabisco: Vertygo, O suicídio de Lukas

Livro sem Rabisco: Vertygo, O suicídio de Lukas: Multiverso, Delírio ou Fantasia?   Sincronicidade, Coincidência ou Destino?   Universo Paralelo, Alucinação ou Fuga Da Realidade?   – ...

Os Cegos & O Elefante





Há muitos anos vivia na Índia um rei sábio e muito culto. Já havia lido todos os livros de seu reino. Seus conhecimentos eram numerosos como os grãos de areia do Rio Ganges. Muitos súditos e ministros, para agradar o rei, também se aplicaram aos estudos e às leituras dos velhos livros. Mas, viviam disputando entre si quem era o mais conhecedor, inteligente e sábio. Cada um se arvorava em ser o dono da verdade e menosprezava os demais. O rei se entristecia com essa rivalidade intelectual. Resolveu, então, dar-lhes uma lição. Chamou-os todos para que presenciassem uma cena no palácio.
Bem no centro da grande sala do trono estavam alguns belos elefantes. O rei ordenou que os soldados deixassem entrar um grupo de cegos de nascença. Obedecendo às ordens reais, os soldados conduziram os cegos para os elefantes e, guiando-lhes as mãos, mostraram-lhes os animais. Um dos cegos agarrou a perna de um elefante; o outro segurou a cauda; outro tocou a barriga; outro, as costas; outro apalpou as orelhas; outro, a presa; outro, a tromba.
O rei pediu que cada um examinasse bem, com as mãos, a parte que lhe cabia. Em seguida, mandou-os vir à sua presença e perguntou-lhes:
– Com que se parece um elefante? – E Começou uma discussão acalorada entre os cegos. Aquele que agarrou a perna respondeu:
– O elefante é como uma coluna roliça e pesada.
– Errado! – interferiu o cego que segurou a cauda. – O elefante é tal qual uma vassoura de cabo maleável.
– Absurdo! – gritou aquele que tocou a barriga. – É uma parede curva e tem a pele semelhante a um tambor.
– Vocês não perceberam nada – desdenhou o cego que tocou as costas. – O elefante parece-se com uma mesa abaulada e muito alta.
– Nada disso! – resmungou o que tinha apalpado as orelhas. – É como uma bandeira arredondada e muito grossa que não para de tremular.
– Pois eu não concordo com nenhum de vocês – falou alto o cego que examinara a presa. – Ele é comprido, grosso e pontiagudo, forte e rígido como os chifres.
– Lamento dizer que todos vocês estão errados – disse com prepotência o que tinha segurado a tromba. – O elefante é como a serpente, mas flutua no ar.
O rei se divertiu com as respostas e, virando-se para seus súditos e ministros, disse-lhes:
– Viram? Cada um deles disse a sua verdade. E nenhuma delas responde corretamente a minha pergunta. Mas se juntarmos todas as respostas poderemos conhecer a grande verdade. Assim são vocês: “Cada um tem a sua parcela de verdade. Se souberem ouvir e compreender o outro e se observarem o mundo de diferentes ângulos, chegarão ao conhecimento e à sabedoria”.
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Conto do budismo chinês. Por DOMINGUES, Joelza Ester.

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Os Cegos & O Elefante Em Poesia – John Godfrey Sax
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Seis homens sábios do Industão, Uma terra bem distante, Ouviram atentos, os boatos Sobre um animal gigante E apesar de serem cegos Foram ver o elefante.

O primeiro passou as mãos Sobre a barriga dura e falha, E explicou bem confiante:
“Minha análise não falha: Esse tal de elefante Mais parece uma muralha!”

O segundo tocou as presas E proclamou com confiança:
“Este tal de elefante Não é brincadeira para criança. Tão pontudo e afiado Mais parece uma lança!”

O terceiro chegou à tromba Elogiando a bela obra:
“… Tão comprido, e gelado, Vejam só, ele até dobra! O flexível elefante Mais parece uma cobra!”

O quarto sentiu a pata E teve logo a recompensa Percebendo as semelhanças Anunciou com indiferença:
“Este animal mais se parece Com uma árvore imensa!”

O quinto tocou as orelhas E sugeriu conservador:
“Mas que belo utensílio Nestas tardes de calor, Este tal de elefante, Mais parece um abanador!”

O sexto subiu às costas Despencando na outra borda E pendurado ao rabo, disse:
“Não sei se alguém discorda, Mas para mim esse animal Mais se parece com uma corda!”

E então os sábios homens Discutiram inconformados Cada um com seu discurso Sem ouvir os outros lados Pois estavam certos, em partes. Mas completamente errados!

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